Thursday, March 2, 2006

Deserto


Perdido numa espécie de deserto
Dormia apenas para sonhar com ela
Escutava vozes que liam textos filosóficos
No céu limpo e fortemente azul
A lua é o que me distrai

O melhor do que eu dizia era o espaço entre as palavras
O pior que eu sentia era o espaço entre nós
Debaixo dos cabos eléctricos esperava
Que eles te pudessem conduzir até mim
Sobre esta esperança cai a noite

A linha do horizonte suavemente ia desaparecendo
O som que os cabos traziam tornava-se monstruoso
O zumbido ia construindo o silêncio
Ia construindo as palavras que eu nunca te direi
As estrelas… as únicas com poder para interceder por mim
Permaneciam intocáveis, incapazes de acordar o meu sol
O meu amor

Como num sonho de uma criança
Estranhamente a noite caiu sem fazer barulho
Sem me assustar
Estranhamente continuo a ver claramente
Sem perceber de onde provém tanta luz
De onde nasce tanto brilho

Guardo dentro de mim o som da tua voz
O choque dos teus olhos com os meus
O cheiro da forma do teu corpo
Aqui deitado deixas cair o teu feitiço
É isto real ou estou a sonhar?

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