Monday, December 24, 2007

This side up

Resta-me, por fim, expôr a minha única certeza pelo meio de exercícios de egoísmo e dizer que a única coisa em que acredito é a Palavra. E ninguém consegue fazer o correcto uso desta.
Irá existir sempre Guerra, Morte, a luta entre aquilo que realmente somos e o que parecemos. Será isto a Verdade?
A verdade! O objectivo final seria que esta não implica-se contradição, a realidade, o carácter próprio, a representação do fiel. O exercício baseia-se em estarmos constantemente a fazer a tradução de um juízo de nós próprios que nao é o real... a própria natureza da Natureza assim o dita. Mas acredito que todos nós somos melhores do que aquilo que parecemos. Ingénuo? Também...
Quando um eco nos atinge e a origem está num corpo estranho, que não o nosso, o outro lado, algo que até ali temíamos que pudesse existir, mas não queremos acreditar. Somos transportados para o "Teatro" O lugar onde se vê, a inconveniente epifania, o derradeiro teste de resistência, o quanto forte somos, aqui voltamos a esbarrar numa outra certeza... só há duas opções: a comédia ou o drama. Amanhã ou talvez daqui a dois minutos, obriga-me a minha Natureza a dizer, e seja lá o que for que transforma o que sou, que a única palavra que faz sentido é, silêncio.

1 comment:

Anonymous said...

Um dia branco

Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber.



Sophia de Mello Breyner Andresen