Friday, November 5, 2010

Memento mori

Escuto vozes que gritam da sombra
Ninguém mais me olha com respeito
O vida virou-me as costas
Os raios de sol já não mais me fazem cerrar os olhos

Poderei agora questionar o sentido desta vida
Enquanto aguardo na fila pela minha vez
Aqui de olhar preso ao chão
Ao compasso das gotas de água que caem no deserto

A lutar por verdades que sabemos ser mentira
Heroi de guerra por causa alheia
Hoje já não mais vejo o futuro como ontem
As certezas já não são mais as mesmas

Sinto que estou a chegar a algum lado, mas não aqui
Vou ficar aqui a espera
De algo que esteja em rota de colisão
De alguém, que me venda uma nova alma

Efémera é a espera a que chamamos vida
Para quê insistir em dar ordem
Ao que é já de si azul
E não sei onde começa ou acaba
Luto por tentar advinhar os teus sonhos
Enquanto ao mesmo tempo
Defendo a minha lista de expectativas
Depois de tanto tempo á procura
As cicatrizes dão nome á minha carne

O que me mantém vivo é sentir
Que estou sempre a um passo de ti
Por muito que tente te esquecer

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