Wednesday, October 12, 2005

Inútil

A vida não me escolhe. Não sei como aqui vim parar, pergunto-me para onde caminho. Aqui sem nada para dar de tudo aquilo que gostava de dizer já não mais sei o que sim do que é não. O que não tenho tende a revelar-se efémero e peco... Quem me fará verdade? Guardo todas as suposições deles, que por metamorfose se vem a revelar. Mas eu nunca te quis magoar, eu não quero que sofras, eu já não sei o que me fez aqui entrar. Sou naúfrago nos meus eus, aqui onde todos falam ao mesmo tempo, será que saberemos quando morremos... Vamos sempre preferir o aqui, escolher o aqui, abraçar o aqui, sem saber o que está para além e continuar a sonhar em vida com a vida. Passo esta, aos gritos sem sentir a dor que preciso, a minha dor, a minha, a dos outros, mas tento e vou tentando, e vou ficar. O puxador parece estar partido, mas faço-o, mantenho as duas mãos juntas e bem firmes no rodar. Agora que sinto o frio, agora percebo que não mais estou de pé, passei todo o meu tempo aqui, a lutar, a procurar, a tentar. Onde está a chave, o que é a chave? Eu amei, eu odiei, eu corri contra o vento, eu corri a favor do vento, mas quando voltei ao inicío já mais lá não estava.
Preso nesta armadilha, a correr na direcção contrária, a esbarrar com quem não conheço, com quem não vejo.
Aqui estou, vivo, nesta escura divisão rodeado pela hegemonia da velocidade, do infinito... Nada está do meu lado, nada está em perfeita rota de colisão comigo, nada vem em na minha direcção. A luz nasceu, a luz se foi e no durante nem um pedaço de pão me trouxe. Infecta-me com doenças, cose os meus olhos… este é o tempo, este é o sentimento...
Inútil

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